O Brasil registrou 834 fusões e aquisições até agosto de 2026, movimentando R$ 210,7 bilhões, segundo a TTR Data. O número de operações caiu 31%, mas o capital subiu 11%: cada negócio carrega mais valor e mais complexidade. No meio dessa conta está um vendedor novo, a empresa
média do interior, que chega à mesa diante de compradores profissionais e estruturas sofisticadas, quase sempre negociando a própria empresa pela primeira vez
O mercado brasileiro de fusões e aquisições ficou mais seletivo. Os dados da TTR Data mostram menos operações concentrando mais capital, um desenho em que cada transação envolve mais diligência, mais camadas de garantia e mais estruturação jurídica e tributária. Na prática, o padrão técnico das negociações subiu,
e com ele a diferença de preparo entre o comprador profissional, que fecha dezenas de negócios por ano, e o vendedor que negocia uma empresa pela primeira vez.
Por trás da manchete das grandes transações, porém, corre um movimento mais silencioso. O chamado middle market, das empresas de médio porte, já responde por cerca de 70% do volume mundial de operações de M&A, segundo a PitchBook. No Brasil, segundo levantamento da Deloitte, as transações nesse segmento
saltaram de 807 para 1.834 entre 2013 e 2021, com valor total que quadruplicou no período. O comprador institucional (fundos, consolidadores setoriais e grupos estrangeiros) chegou ao interior do país.
"O M&A deixou de ser coisa de grande grupo. A empresa média do interior está sendo comprada, vendida e capitalizada com estruturas tão sofisticadas quanto as de uma operação de bolsa. O que ela não tem, na maioria das vezes, é quem a prepare para isso", afirma Ravi
Petrelli Paciornik, sócio do Trajano Neto e Paciornik Advogados, indicado ao ranking nacional da Leaders League em M&A e Special Situations.
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