O mercado paga pela vista uma vez, no dia da compra. Quem decide se ela vai valer todos os dias seguintes é o projeto. Por Andria Tagliari.
Uma pergunta aparece com frequência entre clientes que avaliam casas à beira dos lagos de Windermere: quanto vale a vista? A resposta vai além do laudo de avaliação em mãos, da comparação com as casas vizinhas e da sensação de que se paga um prêmio alto por alguns
metros de margem. Nessa situação, a minha resposta é a mesma que dou há mais de duas décadas projetando residências de alto padrão no Brasil e agora nos Estados Unidos: a vista vale exatamente o que o projeto entrega dela.
O mercado precifica a vista de forma objetiva. Em Windermere, segundo dados de mercado compilados no relatório Windermere FL Real Estate Trends Data 2026, uma casa com frente para a Butler Chain of Lakes custa, em média, quase três vezes a mediana de preço da cidade. O comprador
paga esse prêmio no dia da escritura, embutido no terreno. A partir daí, a vista deixa de ser um atributo do lote e passa a ser uma consequência de decisões: para onde a casa se abre, o que fica entre a sala e a água, a altura das
aberturas, o pé-direito, a posição da cozinha, a continuidade entre o interior e a área externa.
Já entrei em casas de vários milhões de dólares que davam as costas para o lago. A sala principal olhava para o corredor de acesso, a cozinha era fechada e a única relação com a água acontecia por uma porta de serviço nos fundos. O prêmio pago pela
vista estava lá, no laudo. No dia a dia, ele não existia. E é nesse tipo de casa que a valorização de um imóvel com design se revela pelo avesso: o comprador seguinte enxerga a vista desperdiçada, calcula a obra necessária para recuperá-la e desconta tudo isso da
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