O orçamento médio de inteligência artificial das grandes empresas quase sextuplicou em dois anos, e a maior parte do gasto não estava na proposta assinada. Para Guilherme Friol, CEO da Vircos, o custo de uma IA contratada não está na mensalidade: está no consumo variável, na reprecificação e
no custo de saída
A despesa corporativa com inteligência artificial entrou em trajetória de alta acelerada. Levantamento da FinOps Foundation indica que o orçamento anual médio de IA de uma grande empresa passou de US$ 1,2 milhão em 2024 para US$ 7 milhões em 2026, com a inferência, o consumo de processamento
no dia a dia, respondendo pela maior parte do gasto. A Gartner ajuda a explicar o movimento: sistemas agênticos, que executam tarefas em cadeia, consomem entre 5 e 30 vezes mais tokens por demanda do que um chatbot convencional.
O crescimento já produziu episódios concretos de estouro orçamentário. O GitHub migrou o Copilot para cobrança por consumo e registrou reclamações de usuários que esgotaram créditos mensais em poucas horas. A Uber estabeleceu teto mensal por funcionário e por ferramenta de codificação depois de consumir o orçamento anual
de IA em quatro meses.
Para Guilherme Friol, CEO da Vircos, empresa de engenharia de inteligência artificial corporativa, os casos expõem uma distorção que se repete na mesa de decisão. A escolha entre contratar uma solução pronta e construir uma sob medida costuma chegar mal formulada ao comitê: o comparativo apresentado ao cliente
confronta um custo conhecido, a mensalidade, com um custo estimado, o projeto. O que fica de fora é a parte variável, que só aparece depois da assinatura.
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