Há 30 anos estudando janelas, vidros e decibéis, o engenheiro Edison Claro se tornou uma referência em acústica no Brasil, e uma pergunta o persegue desde sempre: por que aceitamos conviver com tanto barulho?
Edison Claro gosta de contar uma história de praia para explicar o que faz da vida. Ele tem uma casa litorânea com vizinhos dos dois lados: um ama pagode, o outro é fanático por rock. Ele, pessoalmente, não suporta o primeiro estilo e aí vem a virada: quando
mede o volume dos dois sons, descobre que a intensidade é praticamente idêntica. Ainda assim, um o irrita profundamente; o outro o deixa animado.
É dessa observação simples que nasce a definição que guia toda a carreira do engenheiro à frente da Atenua Som (empresa especializada em isolamento acústico): o barulho não é uma medida objetiva de decibéis, é tudo aquilo que incomoda. Essa tese, cultivada ao longo de mais de 30
anos de projetos residenciais, hoteleiros e culturais, é o fio condutor do seu livro O Silêncio é Disputado, mas também é, antes de tudo, a lente pela qual Edison Claro enxerga o mundo.
A janela como território de guerra
Nos bastidores da profissão, Edison conta ter testemunhado o quanto o incômodo sonoro pode escalar. Atendeu clientes com hiperacusia (condição que torna a audição intolerante à sons corriqueiros) e ouviu relatos de vizinhos que quase chegaram às vias de fato por causa de um pagode ligado até tarde.
Para ele, esses episódios extremos, que volta e meia viram manchete de crime passional, comprovam algo que a engenharia tradicional ainda trata como coadjuvante: o silêncio não é conforto, é necessidade fisiológica e emocional.
Ler matéria completa