Entre janeiro e maio, o INSS negou em média 668 mil pedidos por mês, 70% a mais que no ano passado. Para cada carta de indeferimento, existe um prazo curto e pouco conhecido para reverter
No primeiro semestre de 2026, o INSS analisou um volume recorde de pedidos para reduzir a fila de espera, e concedeu cerca de 4,2 milhões de benefícios contra aproximadamente 4,3 milhões de indeferimentos. A taxa de concessão, de 49,5%, ficou próxima da registrada em anos anteriores: 50,6% em
2021 e 50,5% em 2022. O que mudou não foi o critério de análise. Foi a escala.
Entre janeiro e maio, a média mensal de indeferimentos chegou a 668,6 mil, alta de cerca de 70% sobre o mesmo intervalo de 2025. O INSS afirma que o aumento das negativas acompanha o aumento geral de decisões, e não decorre de uma análise mais rigorosa: à medida
que mais processos acumulados são avaliados, cresce o número absoluto tanto de concessões quanto de indeferimentos.
"Reduzir fila é uma meta importante, mas é só um lado da moeda. O outro é o tanto de gente que recebeu uma negativa esse ano e não sabia que tinha só trinta dias pra reagir", explica o advogado especialista em benefícios do INSS, Artur Araujo.
Na prática, para quem espera uma resposta, o número que importa não é a taxa. É o tanto de gente que passou a receber carta de indeferimento neste ano, muito mais do que há um ano, sem que a maioria saiba o que fazer com ela a seguir.
A inversão coincide com o esforço de redução da fila. Em janeiro, 1,88 milhão de processos aguardavam decisão havia mais de 45 dias. Em julho, o estoque caiu para 374 mil, uma redução de aproximadamente 80% e o menor nível desde janeiro de 2023.
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