Marco Orsini, Wladimir Bocca, Acary Bulle Oliveira e a pesquisadora Eduarda Iennaco destacam uma medicina que une ciência, escuta e respeito
Em uma época em que a medicina avança com exames cada vez mais precisos, tecnologias sofisticadas e tratamentos capazes de transformar a vida de milhares de pessoas, Marco Orsini, membro do Centro de Estudos do Hospital Niterói D'Or, ao lado de Wladimir Bocca, Acary Bulle Oliveira e da
pesquisadora Eduarda Iennaco, chama atenção para uma dimensão que nenhum equipamento consegue substituir: a dignidade de quem está diante do médico.
Para os especialistas, a medicina baseada em evidências não deve ser compreendida apenas como um conjunto de protocolos, diagnósticos e condutas terapêuticas. Ela também precisa orientar uma forma de cuidar que reconheça o paciente como pessoa, com história, sentimentos, medos, expectativas, limitações e esperanças. Nesse entendimento, a qualidade
da assistência não se resume ao acerto de uma prescrição, mas envolve a maneira como o profissional escuta, comunica, acolhe e participa da trajetória de alguém que, muitas vezes, chega ao consultório em um dos momentos mais frágeis de sua vida.
Segundo Marco Orsini, a própria literatura científica reforça que a relação entre médico e paciente tem importância concreta na experiência do cuidado. A empatia médica está associada a melhores percepções dos pacientes e a aspectos relevantes da assistência, mostrando que a comunicação não é um elemento secundário diante
da ciência, mas parte do processo terapêutico. Ouvir com atenção, explicar de maneira compreensível, respeitar dúvidas e reconhecer inseguranças são atitudes que fortalecem a confiança e favorecem uma participação mais consciente nas decisões sobre a saúde. A técnica permanece indispensável, mas ganha sentido quando é colocada a serviço
de uma relação baseada em responsabilidade, clareza e respeito.
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