01/09/2026
De projetos de interiores a paisagismo e imóveis de oito dígitos, empreendedoras brasileiras vêm ocupando um espaço que até pouco tempo não tinha sotaque: o alto padrão dos Estados Unidos. As trajetórias se concentram num mesmo corredor da Flórida e repetem um roteiro parecido, feito de nicho estreito,
repertório próprio e tempo de permanência
Quando a arquiteta e designer de interiores Andria Tagliari chegou à Flórida, precisou traduzir mais de duas décadas de experiência no Brasil para os códigos de um novo mercado. Hoje, assina projetos residenciais e comerciais de alto padrão na região de Orlando e representa uma geração de brasileiras
que transformou repertório, método e identidade em negócios nos Estados Unidos. E não está sozinha: uma paisagista premiada e uma corretora de imóveis de alto luxo compõem, no mesmo pedaço da Flórida Central, um retrato do que virou o movimento mais silencioso do empreendedorismo feminino brasileiro. Mulheres que
deixaram de exportar trabalho e passaram a exportar marca.
1. Um recorde no Brasil, uma fronteira fora dele
O empreendedorismo feminino brasileiro vive seu melhor momento estatístico. Segundo o Sebrae, mulheres abriram mais de 2 milhões de pequenos negócios em 2025, cerca de 42% de tudo o que foi criado no país no período, um recorde da série histórica. Só entre os microempreendedores individuais, foram 1,6
milhão de novos CNPJs femininos. A fronteira seguinte é geográfica: transformar essa energia empreendedora em negócios que competem fora do Brasil, e não apenas nos segmentos óbvios.
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