Cirurgiã-dentista referência mundial em sono e qualidade de vida defende avaliação conjunta com neurologistas para pacientes com dor de cabeça crônica
Há anos, no consultório, a cirurgiã-dentista Andréa Melo (DDS, mestre e doutora, PhD) observa um padrão que se repete em boa parte dos pacientes encaminhados por neurologistas: pessoas com enxaqueca crônica que, ao terem a musculatura do rosto e a articulação responsável pela abertura da boca avaliadas, apresentam
sinais claros de bruxismo em vigília (apertamento involuntário dos dentes durante o dia), muitas vezes sem que o próprio paciente perceba.
Essa observação clínica acaba de ganhar respaldo científico. Uma pesquisa brasileira inédita, conduzida pelo Headache Center Brasil e apresentada no 22º Congresso da Sociedade Internacional de Cefaleia, em setembro de 2025, identificou alta prevalência de bruxismo diurno em pacientes com enxaqueca crônica. Por eletromiografia de superfície, os pesquisadores
mostraram que os dois quadros compartilham o mesmo mecanismo neurológico: a hiperativação do nervo trigêmeo, que passa pela musculatura do rosto, exatamente o território que Melo investiga em sua prática.
"O ranger de dentes" como sintoma, não só como um problema odontológico
Fundadora do SIBX, sociedade internacional de bruxismo, e criadora do Método DTC e do Exame da Placa Diagnóstica, Melo é uma das profissionais que atuam no ponto de encontro entre odontologia, sono e neurologia, área ainda pouco explorada na cobertura sobre enxaqueca. Segundo ela, o bruxismo não deveria
ser tratado como uma questão isolada, restrita ao consultório odontológico: em muitos casos, ele funciona como sintoma do próprio quadro neurológico da enxaqueca.
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