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O novo contador, entre o compliance e a estratégia

19/08/2026

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A digitalização levou quase vinte anos para automatizar o balcão da contabilidade brasileira. Em 2026, com a reforma tributária em fase de testes, chega a parte difícil: decidir o que o contador passa a ser quando a máquina cuida da rotina

Existe uma história pouco contada sobre a contabilidade brasileira: ela é uma das profissões mais digitalizadas do país, e não por escolha própria. Desde a criação do SPED (Sistema Público de Escrituração Digital), em 2007, o Estado brasileiro construiu camada sobre camada de fiscalização eletrônica: nota fiscal eletrônica,

escrituração contábil digital, eSocial, cruzamentos automatizados. Cada camada foi anunciada como simplificação e entregue como mais dados a processar. O contador virou, à revelia, o operador de uma das máquinas de conformidade mais densas do mundo.

Em 2026, essa história muda de capítulo. A fase de testes da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) inaugura a transição da reforma tributária, o padrão nacional da nota de serviço se consolida e a fiscalização cruza informações em velocidade

que nenhuma equipe humana acompanha manualmente. Ao mesmo tempo, a tecnologia que antes chegava pelo lado do governo agora chega pelo lado do escritório: automação fiscal e inteligência artificial deixaram de ser promessa de congresso para virar item de orçamento. É nesse encontro entre as duas ondas que

nasce a pergunta que dá título a este ensaio: o que é o novo contador?

A década que automatizou o balcão

Os números mais recentes do setor dão a medida da mudança. O Retrato do Mercado Contábil Brasileiro 2026, estudo da Connectabil em colaboração com a RDD com 644 escritórios respondentes, indica que 79% já usam inteligência artificial generativa no dia a dia. A adoção, portanto, não é mais

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