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Medicina do futuro: entre máquinas, algoritmos e a essência do médico-médico

07/08/2026

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Especialistas alertam que a tecnologia deve ampliar, não substituir, o raciocínio clínico e a relação humana na medicina

Os médicos Marco Orsini, Wladimir Bocca e Acary Bulle de Oliveira analisam os impactos da inteligência artificial, da automação e das novas tecnologias sobre o futuro da medicina e levantam uma questão que ganha cada vez mais relevância: até que ponto as máquinas podem transformar a prática médica

sem modificar a própria essência de ser médico?

Para os especialistas, a evolução tecnológica oferece ferramentas capazes de ampliar o acesso ao conhecimento, auxiliar na interpretação de informações e contribuir para diagnósticos e tratamentos, mas também exige atenção para que o profissional não deixe de exercer uma das características fundamentais da medicina: o cuidado humano.

A reflexão parte de uma ideia frequentemente atribuída à antropóloga Margaret Mead, segundo a qual um fêmur quebrado e cicatrizado representaria um dos primeiros sinais de civilização, justamente porque alguém precisou permanecer ao lado daquele que havia se ferido, protegê-lo e ajudá-lo durante o período de recuperação.

A medicina nasceu de um dos gestos mais essenciais da humanidade: cuidar de quem precisava de ajuda. Uma pessoa com uma fratura grave não conseguiria sobreviver sozinha por muito tempo em ambientes hostis, pois teria dificuldades para buscar alimento, água ou proteção.

A recuperação de um ferimento dessa natureza pressupõe a existência de alguém disposto a oferecer assistência. Essa perspectiva sintetiza uma característica que acompanha a medicina desde suas origens: o cuidado com o outro.

Séculos depois, diante do avanço acelerado da inteligência artificial, da automação, dos aplicativos e de sofisticados sistemas tecnológicos, a discussão deixa de ser apenas sobre o que as máquinas conseguem fazer e passa a envolver aquilo que os seres humanos não podem abrir mão de fazer.

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